É extremamente eloquente como Veronica Roth e o resto de escritoras distópicas consegue te convencer a pensar que existe um mundo como o presente em seus livros.
Ao contrário de Suzanne Collins, que imagina um reality-show que mata adolescentes para controlar a população, a escritora de Divergente não ousa tanto em sua narrativa.
Felizmente isso não significa que sua obra não seja tão extraordinária quanto tal.
A trilogia, como qualquer uma com uma trama planejada e original, vendeu seus direitos autorais para a Summit Entertainment adaptá-la ao cinema. Divergente te obriga a sentir o impacto de: que os personagens são tão reais que você age como se já os conhecesse.
Enfim, isso é o que encanta o leitor. Todos os personagens são bem desenvolvidos e não se tornam opacos. A protagonista Beatrice é surpreendente pelas atitudes sensatas e não abandona seus princípios.
Veronica concebeu uma escrita que vai além de paixão proibida e um futuro incerto. Ela presenteia ao leitor sobre como alguém pode superar um medo e, direta ou indiretamente, acaba abalando as estruturas da sociedade ideal em que vive.
A única falha em Divergente é o desfecho, mas não deixa de ser espetacular. Tudo é elaborado com tanta precisão que deixou bastantes perguntas no ar... Mas isso vai ser tarefa para o segundo livro resolver, Insurgente...
“Beijamo-nos por alguns minutos, no fundo do abismo, cercados pelo ronco da água ao nosso redor. Quando nos levantamos, de mãos dadas, me dou conta de que, se nós dois tivéssemos feito escolhas diferentes, talvez acabássemos fazendo a mesma coisa, em um lugar mais seguro, usando roupas cinza em vez de pretas.”

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